
Sundays por Nicholas Steinmetz
Nascido em São Paulo, mas criado em Curitiba, Nicholas, artista visual, costuma dizer que é curitibano quando alguém pergunta de onde ele é. Depois de se formar em Design Gráfico, percebeu que Curitiba tinha limites para quem queria construir uma carreira na área criativa e, em 2022, se mudou para São Paulo. Hoje mora na Santa Cecília, bairro onde passou a construir sua relação com a cidade por meio dos percursos, encontros e processos que passaram a fazer parte da sua rotina. "São Paulo é uma cidade imensa. Tudo o que você imaginar, acho que consegue encontrar aqui. E acho que se mudar para São Paulo também envolve esse processo de encontrar o seu próprio caminho e descobrir o que faz sentido para você dentro da cidade." Em suas escolhas, o que mais interessa ao Nicholas não é o lugar em si, mas as pessoas e os projetos que fazem a cidade acontecer. "Alguns desses espaços independentes são os lugares que indiquei porque acho muito interessante ver pessoas se movimentando para criar algo que se desprende desse mercado de arte mais formal e que nasce de uma paixão." Talvez seja por isso que suas escolhas revelem, sem querer, os caminhos que o aproximaram de São Paulo.

Centro Cultural São Paulo
Hoje em dia eu não frequento tanto o CCSP quanto antes, mas continuo gostando muito dele.
Antes de me mudar para São Paulo, eu vinha visitar amigos que moravam aqui e faziam quadrinhos, zines e publicações independentes. Nessa época, eu ficava na casa da minha tia, na Bela Vista, então era muito perto. O rolê normalmente era ir para a Liberdade, comer alguma coisa e seguir a pé até o CCSP.
Eu acho que o CCSP encapsulava a ideia que eu tinha de São Paulo: muita atividade rolando, uma agenda cultural imensa e uma diversidade enorme de pessoas frequentando o espaço. Principalmente a galera que dança ali no meio, que eu acho muito representativa disso. Tem gente dançando dança de salão, K-pop, reggaeton...
Também tem o circuito de exposições dos editais, que eu acho muito legal porque é rotativo e abre espaço para artistas mais novos mostrarem o trabalho, artistas que ainda não estão há tanto tempo no circuito de arte.
Tem cinema, teatro, shows. Já vi show da Tati Quebra Barraco, um filme tailandês de fantoches por menos de dez reais, feira de zines e quadrinhos, além de várias exposições.
É um lugar que tem tanta coisa acontecendo que é muito foda. Hoje eu não frequento tanto quanto antes, mas sempre que volto é uma experiência muito positiva. E ainda tem os jardinzinhos, que são uma delícia para ficar tomando sol.
Gruta
A Gruta é um espaço expositivo, um projeto que se assemelha um pouco a uma galeria, mas eles não trabalham com representação. Eles têm um projeto curatorial muito massa, voltado para impulsionar artistas que estão no começo da carreira antes de chegarem a uma representação mais consolidada no circuito de arte.
Eles têm uma programação de uma exposição por mês e são muito dedicados, muito queridos. Acho que têm uma curadoria muito, muito legal. Todas as aberturas que acontecem lá são muito divertidas, também porque ficam naquela muvuca da Barra Funda e depois a galera acaba saindo por ali.
Acho que existe uma dedicação e um projeto que eu gosto muito e que sempre vale a pena acompanhar para ver o que está acontecendo. Além das aberturas, eles também organizam rodas de conversa, eventos e outras ativações.
É um lugar muito legal para quem tem interesse em arte contemporânea e quer conhecer artistas mais jovens ou mais acessíveis. Também acho que é um ótimo lugar para quem tem interesse, mas sente um pouco de medo ou fica intimidado com espaços maiores.

MULI
Tá, esse é o primeiro restaurante. Acho que eu não coloquei muitos porque sinto que alguns já são muito batidos, e o MULI talvez seja um deles. Mas é o meu restaurante favorito de São Paulo. Acho ele absurdo.
Eu amo frutos do mar, então tem isso. Mas também acho a qualidade da comida absurda, vale o preço que custa e o atendimento é ótimo.

Ele ficou bem conhecido porque vários TikTokers recomendaram por causa da batata, mas toda vez que experimento um prato novo não me arrependo. Acho que tudo tem uma qualidade absurda. O melhor Bloody Mary que eu já tomei é o deles, porque vem uma ostra junto. Ele é bem peixudo, gosto muito.
Jardim da Rosa e Silva
Esse é um dos meus botecos favoritos no momento. Acho que, em São Paulo, eu rotacionei bastante os botecos que frequentava. Fui muito no Luizão e em vários outros, mas o Jardim da Rosa e Silva é o que mais tenho curtido ultimamente.
Acho os espetinhos muito gostosos. Também gosto das mesas na rua, porque permitem juntar uma galera, montar umas mesas maiores ou o pessoal ficar de pé. É um boteco bem tradicionalzão.
O atendimento não é dos melhores, mas é isso: boteco com um bom espetinho. E acho ele muito São Paulo, porque está do lado do Minhocão, dos carros... é isso aí.
Um amigo meu fez aniversário lá e foi ótimo, porque a galera conseguiu se juntar e tem bastante mesa. Enfim, é botecão. Botecão pé sujo. Gosto muito.
Projeto Caroço
O Projeto Caroço é outro espaço de arte contemporânea que também foca em impulsionar artistas em começo de carreira.


Ele fica um pouco mais afastado do circuito do centro, então, quando tem abertura por lá, normalmente o pessoal fica no próprio espaço. Eles costumam contratar um barzinho, fica supergostoso.
O espaço é muito bonito e também tem esse cuidado com a curadoria, que eu acho muito legal. Enfim, é uma vibe um pouco diferente da Gruta, mas também é outro projeto que eu admiro muito e que acho uma ótima indicação para quem tem interesse em conhecer arte contemporânea.
Frango com Tudo
O Frango com Tudo é um restaurante onde eu sempre vou, porque acho a parmegiana deles mais barata, mais acessível e mais gostosa que a do Jhonys. O Jhonys tem toda aquela fama da parmegiana, mas, para mim, o Frango com Tudo é a versão mais barata e mais gostosa.
Então sempre é uma pedida quando está um domingo ensolarado e eu quero comer um PF ou uma parmegiana na rua.
Eu adoro ir lá, pedir uma parmegiana, uma 600 e ficar de boa. Normalmente faço isso aos domingos ou aos sábados. E sempre tem uma feirinha em uma das ruas do lado — esqueci o nome agora — com artesanato, que é gostoso de ficar olhando. Enfim, a região toda fica muito gostosa.
Do lado também tem o Sacolão Higienópolis. Às vezes é gostoso passar lá, pegar uma salada de fruta e voltar para casa. É que eu moro muito perto, né? Tem isso. Mas eu gosto muito do Frango com Tudo. Acho melhor que o Jhonys.
Ateliê Escola
Pensando também na região da Santa Cecília, bem pertinho da Canuto do Val, tem o Ateliê Escola. É uma escola de artes que começou como uma escola de cerâmica e é constituída por artistas e pessoas que pensam a arte não só como fazer uma aula de cerâmica para produzir um potinho, mas para entender o processo.
Eles têm muitos cursos, e acho que todos são com pessoas muito, muito legais. Então, para quem tem interesse em fazer cerâmica, pintura ou desenho, eu acho ótimo. Fica bem no meio da Santa Cecília.
Às vezes tem curso de sábado, e depois dá para almoçar no Frango com Tudo. Mas eles têm cursos em vários horários — à noite, de manhã — e também costumam fazer cursos de férias, o que é muito legal. Eu dei uma oficina de desenho e pintura lá e foi muito gostoso.

Laomazi
Esse é outro restaurante de que eu mais gosto na cidade, apesar de fazer um tempão que eu não vou. A Liberdade anda me intimidando um pouco e eu também não tenho tido dias livres durante a semana. E fim de semana na Liberdade todo mundo sabe como é.
Mas o Laomazi tem delivery também, e eu já pedi várias vezes. É um restaurante taiwanês supertradicional. Vi no site deles que já têm 25 anos.
É uma comida bem tradicional e também simboliza uma coisa que eu acho incrível em São Paulo: a quantidade de culinárias diferentes e toda essa ideia de migração, que eu acho muito bonita na cidade.

Escolhi o Laomazi porque gosto muito do restaurante e sinto que ele ainda é um lugar que nem todo mundo conhece em São Paulo. Achei que valia a pena indicar.