Seoul por Isabella Costa

Cities by locals.

Seoul por Isabella Costa

18/08/26

Isabella é estilista e sempre teve curiosidade por Seoul por conta do seu interesse em filmes e músicas coreanas. A viagem, que também passaria pelo Japão — até então seu grande sonho — acabou mudando suas expectativas: depois de conhecer Seoul, a relação foi de completa paixão. Tornou-se a cidade favorita entre as que visitou, uma certeza que permanece até hoje. “Seoul me ofereceu uma paz esmagadora, ainda mais pra quem vive em São Paulo.” Isabella se sentia segura para andar pela cidade sem preocupação, mesmo em lugares movimentados, e muitas vezes escolhia caminhar justamente para descobrir o que existia “no meio do caminho”. Queria ver as partes residenciais, passar em frente a escolas, condomínios e escritórios e observar como as pessoas viviam. Entre grandes avenidas e prédios, acabou se apaixonando também pelas ruazinhas que pareciam labirintos espalhados pelos morros de Seoul — e pela sensação de que, por ali, tudo estava no lugar.

Arredores do Deoksugung Palace

O Deoksugung é o menor dos complexos de palácios de Seul, mas abriga um parque bem tranquilo e gostoso, além de edifícios lindos.

Escolhi os arredores do Deoksugung porque, à direita do palácio, existe uma rua com bancos que imitam Dol-tap (pilhas de pedras), vasos com arranjos cuidadosamente pensados e painéis lindos na calçada. A rua dá acesso ao Museu de Arte de Seoul e a outros prédios históricos que misturam arquitetura ocidental. Foi um dos lugares mais lindos em que passei.

O que mais amo é a quantidade de detalhes e o cuidado com cada um deles. Vale reparar nos canteiros e nos vasos com flores que decoram a cidade. Fui na primavera, o que deve ser um grande diferencial, mas a sensação é que cada flor foi minuciosamente pensada para estar ali.

Apesar de estar bem no centro da cidade e próximo a Myeongdong, era um local bem tranquilo, perfeito para sentar e admirar a paisagem. Me apeguei aos pássaros de Seul durante esse dia, mesmo tendo medo, eles ajudavam a cidade a parecer que tinha saído de um livro. O tempo todo era possível escutar os corvos e, no Deoksugung, foi onde vi pela primeira vez o Pega-Oriental — eles estão em todos os parques e palácios da cidade.

Trajeto de metrô entre Incheon e Seoul

Mais exatamente entre as estações de Yeongjong e Cheongna International City, pela linha AREX, que liga o centro de Seul aos aeroportos de Gimpo e Incheon.

Fiquei um tempo hospedada na ilha de Incheon por ser mais próxima ao aeroporto e usava o metrô para ir turistar em Seul. O trecho da linha em que se vai saindo da ilha de Incheon e atravessando o mar para chegar em Seoul tem uma das vistas mais absurdas que vi na viagem toda, com uma transição de paisagens incrível. Uma das maiores alegrias do meu dia era esperar essa vista.

Trilha para o Parque Naksan

Um dos pontos turísticos de Seul é a trilha pela Naksan Fortress Wall. A muralha fica no meio da cidade, próxima ao DDP (Dongdaemun Design Plaza), e possui uma “trilha” que, na verdade, é uma super subida pela lateral da muralha, dando uma vista linda da cidade por cima.

A trilha dá acesso ao Parque Naksan e, no meio do caminho, a região vai se tornando cada vez mais residencial, fugindo da agitação e do centro comercial do início da trilha, onde fica o DDP. É preciso “entrar” no meio do bairro e descer e subir as ruas estreitas e íngremes para chegar à Vila dos Murais de Ihwa, quase como um labirinto. Mas a arquitetura das casas, as pessoas vivendo a vida delas e a vista de cima da cidade fazem a caminhada valer a pena.

Em frente a um prédio, tinha um grupo de senhorinhas sentadas nos bancos da calçada e no chão, preparando juntas algo que parecia kimchi. Mais tarde, quando passei pelo mesmo lugar, elas estavam comendo juntas. Só sei que quero isso para a minha vida.

Na vila, não tem nada de super diferente. Tem algumas pinturas na frente de alguns comércios, mas são comércios bem de bairro. Próximo dali, tem um acesso ao Parque Naksan com banquinhos onde você pode sentar e ficar admirando a vista.

Lojinha oficial do Dongdaemun Design Plaza

Eu sou viciada em lojinhas de museu. Meu souvenir favorito é cartão postal, que também é o presente obrigatório para minhas amigas. Então, dei uma boa surtada com a lojinha do DDP.

O Dongdaemun Design Plaza, ou DDP, é um centro cultural do tamanho de um estádio em Seul, que dá acesso ao metrô, museus e a um shopping. Na parte “subterrânea”, onde ficam os acessos principais, também fica a lojinha oficial do DDP.

Além de uma infinidade de postais de ilustradores sul-coreanos, a lojinha também conta com acessórios, itens de decoração, blind boxes e todo tipo de cacarecos de marcas sul-coreanas. Adquiri uma coleção de postais e uma blind box muito fofa e me arrependi muito das coisas que acabei não comprando.

Dongmyo Flea Market

Pelo nome, tinha deduzido que iria encontrar uma feirinha tipo a da Benedito Calixto, mas, quando cheguei em Dongmyo, encontrei dezenas de brechós que se espalhavam por várias ruas, fora os vendedores que esticam lonas e montam araras nas calçadas para vender produtos de segunda mão.

Dongmyo é o paraíso para os garimpos. A melhor dica que posso dar é ir preparada para passar horas por lá e para carregar peso. Fui em Dongmyo depois de já ter feito algumas compras na região do DDP, então não consegui aproveitar todas as lojas, porque em menos de 1h já estava cheia de sacolas.

Os preços são bem variados. Não me lembro de ver roupas por menos de 10.000 wones (mais ou menos 30 reais), mas as opções de roupas de marcas são infinitas, sobretudo da Nike e Adidas. Alguns dos brechós também vendem roupas por quilo.

Eu não tenho nenhuma foto específica das lojas de dongmyo, porque eu tava muito ocupada me enfiando e comprando, mas visualmente parece a região da rua oriente no Brás rs.

Mibbedong

O Mibbedong é um restaurante próximo ao Seoul Forest Park, com comida de inspiração japonesa, perfeita para quando chega o calor em Seul.

O pessoal do restaurante não fala inglês, mas já está acostumado com turistas. É o tipo de comida que você primeiro come com os olhos e, no caso do prato que pedi, recebi ate um card com instruções de “como comer”. Quanto aos valores, não é o restaurante mais barato, se não me engano, o almoço todo ficou cerca de 60/70 reais, incluindo bebida.

Atenção à localização: o acesso é pela escada lateral de um predinho com vários outros comércios. O espaço é pequeno, mas estava lotado e com fila de espera, que andou bem rápido.

@mibbedong_official
@mibbedong_official

Yeouido Hangang Park - Rio Han

Um dos pontos turísticos mais famosos e indicados quando se vai conhecer Seul é o Rio Han. Descobri que o Parque do Rio Han não é um lugar único, mas que existem vários parques espalhados pela cidade que dão acesso ao rio, com vibes diferentes, dependendo do tipo de passeio que você quer ter.

Acabei escolhendo o Yeouido Hangang Park, que nas indicações diziam ser um lugar menos lotado e mais família, além de ser bem perto de uma estação de metrô. Apesar de ser no meio da semana, estava rolando o festival de primavera em Seoul, com vários pontos pela cidade, incluindo o Parque Yeouido.

Ter pegado essa época do festival de primavera foi uma super vantagem para ver as pessoas vivendo a cidade. Especificamente no caso do parque, tinham várias barraquinhas e trailers de comida e bebidas na parte em que eu estava. Além das barraquinhas, tinham dois “barcos” atracados no rio, com restaurantes, loja de conveniência, um Starbucks e, em um deles, uma “robo shop” da Pop Mart — para as garotas que gostam de cacarecos.

O cacareco que eu peguei
O cacareco que eu peguei

Achei um lugar bem pacífico, bem gostoso para não fazer nada. Então comprei algo para comer e fiquei sentada admirando a paisagem por umas 2h, mas também vale para quem quer caminhar ou correr ao longo do rio. São Paulo podia se empenhar em ter um lugar assim, como um rio limpo.

PLEATS MAMA

Dica aleatória de uma marca que eu descobri. Dentro do mercado de Gwangjang — mandatório também para quem gosta de comida de rua — existe uma lojinha da Pleats.

A Pleats é uma marca de bolsas japonesas feitas de tricô que tem a proposta de ser sustentável. Para quem não sabe, peças tricotadas geram menos desperdício de matéria-prima e, no caso da Pleats, eles usam fio Sorona, que possui certificado de sustentabilidade.

As bolsas são LINDAAAS e eu não resisti e comprei uma “mochilinha” para mim. A marca brinca com as possibilidades de texturas que se pode criar do tricô, como as pregas (Pleats, nome da marca), plissados, franzidos etc., misturando com cores e padrões vibrantes.

@pleatsmama_jp
@pleatsmama_jp
A bolsinha que eu comprei, até os aviamentos são de tricô
A bolsinha que eu comprei, até os aviamentos são de tricô

Seoul Forest Park

Fiquei completamente obcecada pelos parques de Seul, o Seoul Forest Park fica a uma caminhada de 20 min de Seongsu, então cheguei por volta das 11h em Seongsu para ir nas lojas e depois passei o resto da tarde no parque.

Um disclaimer que não tem muito a ver com o parque, mas as lojas em Seul abrem bem tarde se compararmos com o Brasil. Elas costumam abrir por volta das 11h e fecham lá pelas 20h, então, se o objetivo é fazer compras, não vale sair super cedo. No caminho para o parque, para os fãs de K-pop, está o prédio da SM Entertainment.

O parque é imenso, bem maior do que parecia pelo Maps, e o ideal é se guiar pelas plaquinhas dentro do parque para não se perder. É um parque bem familiar, com parquinho para as crianças e várias áreas para descanso. Como é um parque bem arborizado, acaba sendo uma ótima opção para fugir do calor, que já na primavera é beeem quente.

Na época em que fui, estava tendo várias ações por conta do aniversário do Pokémon. Dentro do parque tinha uma mini “floresta Pokémon”, em que era necessário reservar horário e enfrentar uma fila.

Ainda dentro do parque existe uma área com cervos, mas já aviso que é beeem diferente de Nara, no Japão. No parque em Seul, o número de cervos é bem menor e eles ficam presos, então você vê eles através de grades, como em um zoológico, então não vejo esse trecho como uma super indicação. O acesso ao parque é gratuito, assim como para a área dos cervos. ;)

Primavera em Seoul

Não é bem um lugar, rs, mas fiquei pensando: se tivesse que dar uma última dica, que fugisse daquelas que já vi 1 milhão de vezes no TikTok, qual seria?

Acho que ter ido na época em que fui para Seul, no inicio a primavera deixou tudo na cidade ainda mais mágico e ainda coincidiu com o Seoul Spring Festival.

Uma coisa que me marcou muito foi o urbanismo da cidade, como cada canteiro parecia ter sido pensado com extremo cuidado, e ser primavera com certeza destacou ainda mais essa característica. A cidade estava coberta de flores e verde.

Quanto ao Seoul Spring Festival, não fui em nenhum evento específico do festival, mas acabei cruzando com ações por diversos lugares da cidade relacionadas ao festival. E era incrível ver quem era dali aproveitando a cidade, como de fato eles engajavam no que estava acontecendo.

Ah, e descobri que toda quarta-feira em Seoul é Dia da Cultura, o que significa que alguns museus e pontos turísticos ganham entrada gratuita.

Uma história aleatória envolvendo todos os festivais e feiras que encontrei na cidade: no meu último dia por lá, estava rolando um festival de baterias, o Seoul Drum Festival, no pátio do DDP. Acabei passando por lá e a cena que encontrei foi de vários coreanos, de várias idades, se vestindo iguais e tocando berimbau.

Era meu último dia na cidade, sou uma pessoa muito sentimental, e ver coreanos tocando berimbau parecia um sinal da vida de que, sim, era hora de voltar para o Brasil.

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